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A Ameaça do Marketing da Medela
23/04/2009 - Fonte: ICDC

A Ameaça do Marketing da Medela* 
 
A Medela, empresa cuja sede fica na Suíça, vende bombas para 
extração de leite materno. Durante anos, ela se encontra sobre 
uma linha estreita com implicações para o Código Internacional 
de Comercialização de Substitutos do leite Materno. Embora 
as bombas não estejam dentro do escopo do Código, 
as mamadeiras sim e, invariavelmente, estas acompanham 
as bombas.
 
Se as bombas são ou não necessárias tem sido um tema de 
debate. A amamentação, e não a alimentação com leite materno, 
é a maneira normal e natural de nutrir o bebê. A amamentação 
contribui para que o leite fique livre de contaminação, diminui 
os gastos e os resíduos, previne a possível perda de nutrientes 
devido ao processamento do leite extraído (refrigeração, 
congelamento, descongelamento e aquecimento) e permite que 
a mãe crie um vínculo único com seu bebê. Sem dúvida, existem
certas situações nas quais pode ser necessário que a mãe ofereça 
ao bebê seu leite ordenhado manualmente ou com uma bomba. 
Uma das situações é alimentar um bebê enfermo ou muito 
pequeno com leite materno ordenhado até que ele tenha 
condições de mamar no peito.
 
A publicidade das bombas de extração de leite materno tem 
levado mais mães a utilizá-las, mesmo quando elas não são 
necessárias.  Em Indiana, Estados Unidos, as mulheres que 
amamentam e que participam do programa WIC (Women, 
Infants and Children) agora precisam solicitar uma bomba ao 
invés de lhes ser oferecida de rotina. Antes de se entregar uma 
bomba, as mães são avaliadas para determinar sua necessidade 
e recebem opções alternativas, tais como extrair o leite 
manualmente, ou alguém levar o bebê para ser amamentado 
no local de trabalho, ou compartilhar o trabalho, etc. Talvez este 
seja o melhor enfoque para que as mães amamentem de maneira 
natural ao invés de alimentar o bebê com leite materno por 
mamadeira.
 
Até pouco tempo atrás, a Medela se mantinha em uma zona 
cinza com relação ao cumprimento do Código. Agora a Medela 
cruzou a fronteira e está promovendo mamadeiras e bicos como 
parte de seu "Sistema completo de alimentação" e "Equipamentos 
para armazenamento e administração de leite materno". 
A promoção destes produtos é dirigida tanto para mães como 
também para as aconselhadoras em amamentação e suas 
respectivas associações.  
 
Em uma conferência da Australian Breastfeeding Association (ABA) 
em 2008, a Medela distribuiu livretos sobre amamentação que 
incluíam publicidade de suas mamadeiras. Em resposta às 
manifestações de preocupação quanto a violações ao Código, a 
Medela respondeu que o Código não é claro e, considerando 
que eles promovem suas mamadeiras para administrar leite 
materno, sua publicidade ao público não deveria ser um 
problema.
 
Nos Estados Unidos, uma publicidade das mamadeiras de 8 
onças da Medela, dirigida às aconselhadoras de amamentação, 
traz a seguinte frase "Escolha uma mamadeira para leite materno 
na qual se possa confiar. A opção Nº 1 dos hospitais e mães". 
A Medela incentiva as aconselhadoras de amamentação a 
promoverem seus produtos, dizendo que seu conjunto de 6 
Mamadeiras para Leite Materno é "ideal para exposição e 
promoção". Estas ações põem a empresa diretamente dentro 
do escopo do Código e a promoção do produto cria um conflito 
moral para muitas aconselhadoras de amamentação que até 
agora trabalhavam estreitamente com a Medela. Elas devem 
continuar trabalhando com a Medela, agora que a empresa 
encontrou uma maneira de ganhar dinheiro com a venda de 
um produto que interfere negativamente na amamentação? 
As pessoas que apóiam o Código Internacional se encontram 
em uma encruzilhada quando a Medela viola o Código com 
suas "mamadeiras para leite materno".
 
A dilema não termina aí. A Medela patrocina muitas 
associações de aleitamento materno, gerando um conflito de 
interesses. Qualquer apoio financeiro recebido pode resultar 
em uma lealdade dividida, e o mesmo ocorre quando se vincula 
o nome da empresa à organização, uma vez que isso aumenta a 
credibilidade do produto.
 
Felizmente, vários grupos reconhecem a Medela como uma 
violadora do Código e agiram de forma positiva ao registrar 
seu protesto de diferentes maneiras:
• A International Lactation Consultants Association (ILCA) não 
permitirá que a Medela tenha espaço para exibição em sua 
Conferência Anual 2009, nem aceitará publicidade no Journal of 
Human Lactation.
• A La Leche League International determinou que não pode 
aceitar nenhum patrocínio, doações, publicidade ou exposições 
da Medela.
• O Centre for Lactation and Breastfeeding Education, da Alemanha, 
decidiu não convidar a Medela como expositor em sua 
Conferência bianual, que será realizada este ano.
• No Oriente Médio, as aconselhadoras de amamentação têm 
recusado as bombas de extração que incluem bicos e têm 
manifestado seu descontentamento com esta prática.
 
Com as ações que foram tomadas, a Medela deveria levar em 
consideração que não pode continuar ignorando os objetivos e 
escopo do Código Internacional.


* Esta matéria é uma contribuição de  Heather Beath, nutricionista canadense 
que atualmente faz um estágio no ICDC. Extraído do boletim ICDC Legal 
Update, de abril de 2009. Traduzido ao português por Tereza Toma.