Pesquisa da UFMG mostra que fígado de bebê pode ter má formação com interrupção na amamentação

Uma pesquisa desenvolvida no Departamento de Morfologia do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG revelou ainda mais sobre a importância do aleitamento materno para o desenvolvimento dos indivíduos. De acordo com o artigo, o fígado pode ter uma formação diretamente prejudicada com a interrupção precoce da amamentação.

DANIELE FRANCO | HOJE EM DIA | Belo Horizonte – MG | 11.09.2018

Antes de desmamar da mãe, fígado de bebês desenvolve o sistema imunológico – Reprodução/UFMG/Amy Bundy

A pesquisa foi coordenada pelo professor Gustavo Menezes, que analisou camundongos para chegar à conclusão de que, nas primeiras fases de vida, o fígado desenvolve uma função exclusivamente imunológica por não ser tão necessária a função metabólica observada em indivíduos mais velhos.

Nesse sentido, a pesquisa ressalta a importância da amamentação para que o fígado desenvolva suas funções imunológicas. Num recém-nascido, quase todos os tipos de células imunológicas estão em processo de maturação no fígado e diversas funções metabólicas permanecem desligadas até que os animais sejam desmamados da mãe.

Para conferir se a pesquisa em camundongos refletiria resultados comparáveis a humanos, o laboratório fez uma parceria com o Hospital das Clínicas da UFMG e analisou lâminas de fígados de recém-nascidos, crianças e adultos que morreram por problemas não hepáticos e constatou as semelhanças. “Eram lâminas que estavam guardadas, ou seja, não fizemos um estudo invasivo em seres humanos”, afirmou o professor.

O estudo mostra os reflexos que a dieta do bebê tem em sua vida adulta. “O ambiente de desafio imunológico que um recém-nascido encontra é variável até mesmo dentro da mesma casa. Por isso, é importante que esse sistema seja plástico, capaz de se adaptar, o que provavelmente não seria possível se logo no início da vida já fosse necessário metabolizar macromoléculas em alta escala, alimentos pouquíssimo processados, como carnes, frutas e fibras”, explica Menezes.

Além das pesquisas da função hepática, o laboratório ainda realiza estudos no sentido de minimizar as consequências da falta de aleitamento materno em prematuros, por exemplo, cujas mães não tiveram tempo suficiente para desenvolver o necessário da glândula mamária.