Projeto do AP usa copinho para envolver familiares na amamentação de recém-nascidos

Ideia incentiva que bebês sejam alimentados exclusivamente com leite humano até os 6 meses.

Ugor Feio | G1 AP | Macapá | 13/04/2019

Enfermeira faz demostração de como realizar o aleitamento materno usando o ‘Copinho do Amor’, em Macapá — Foto: Ugor Feio/G1

Um projeto chamado “Copinho do Amor” tem mudado um pouco a relação de famílias da Zona Norte de Macapá com a amamentação de bebês. A ideia, que utiliza um copo dosador, incetiva a alimentação exclusiva do recém-nascido com leite humano até os seis primeiros meses de vida e, além disso, envolve familiares no processo de amamentação.

Criado por uma equipe do Estratégia Saúde da Família (ESF), da rede municipal de saúde, a ideia é aplicada com famílias que residem no bairro Brasil Novo. Palestras educativas e dicas de como identificar o choro do bebê, assim como a oferta de testes rápidos para doenças sexualmente transmissíveis (DST’s), são ofertadas durante as ações realizadas nas unidades de saúde.

As grávidas e lactantes da região são mapeadas por agentes de saúde e auxiliadas com a dificuldade na amamentação. A responsabilidade do aleitamento materno é dividida com o pai da criança e com outros familiares.

Para alimentar o bebê, são usados copinhos dosadores de medicamentos, esterilizados e ofertados durante consultas.

Elen Silva, enfermeira idealizadora do projeto, mostra mapeamento das famílias no bairro Brasil Novo, em Macapá — Foto: Ugor Feio/G1

A enfermeira Elen Silva, idealizadora do projeto, explica que o copinho é coadjuvante nas ações, que são voltadas, principalmente, para a busca de maior conforto para as mães, ao serem auxiliadas no manejo do leite humano por familiares.

“O leite materno é recolhido e pode durar até seis horas na geladeira. Para alimentar o bebê, basta esquentá-lo em banho maria. Quando alguém assume esse papel, a mãe fica mais tranquila e tem tempo para descansar em um ambiente favorável. O leite até flui melhor”, explicou.

Segundo Elen, o principal objetivo das ações é estreitar laços familiares do bebê e empoderar a mulher com participação da família nos cuidados, especialmente do parceiro. Ela conta que a rotina pode ser muito desgastante quando a responsabilidade é apenas da mãe.

“A presença do parceiro tranquiliza, empodera a mulher para a amamentação e prepara essa criança para introdução de outros alimentos. Os pais se sentam mais seguros e estreitam os laços familiares através do aleitamento materno”, observou a enfermeira.

Projeto ‘Copinho do Amor’ incentiva que familiares participem do processo de alimentação de bebês — Foto: Ugor Feio/G1

O projeto está na terceira edição e já atendeu quase 80 mulheres. Neste ano, 26 grávidas são atendidas diretamente com o projeto. O atendimento muitas vezes acontece por aplicativos de mensagens, comenta Elen. Elas recebem atenção de algum dos nove agentes de saúde que compõem a “Equipe Estratégia Saúde da Família 038”, responsável pela iniciativa.

De acordo com a organização, 89% das mulheres atendidas levaram a amamentação exclusiva até seis meses, número considerado positivo. Aos seis meses da criança acontece também a primeira consulta com um odontólogo, acompanhamento que vai até os seis anos de vida.

“Elas ficam sabendo de tudo pelo Whatsapp. O copinho é distribuído até o quinto dia de vida do bebê. Ele encaixa na cavidade oral e evita lesões. Hoje já atingimos 89% de mães que fizeram a amamentação exclusiva por até seis meses, um número muito positivo”, reforçou Elen.

Jandriely Souza amamenta o filho Alison Vitor durante palestra do projeto ‘Copinho do Amor’, em Macapá — Foto: Ugor Feio/G1

Jandriely Souza, de 27 anos, mãe do Alison Vitor, que tem quase dois meses de vida, é uma das mães que são acompanhadas pela equipe. O bebê é o terceiro filho de Jandriely, que citou que o uso do copinho melhora a relação familiar.

“Aprendemos muito. Apesar de ser uma ideia simples, não se trata apenas do copinho. Tudo que aprendemos conseguimos aplicar em casa. Essa formação é muito importante e melhora nossa qualidade de vida”, destacou.

O projeto foi além da atuação no município e deve representar Macapá na mostra nacional “Aqui tem SUS”. A iniciativa ficou em segundo lugar na etapa estadual e ganhou premiação de R$ 1 mil.

A equipe criadora da ideia decidiu reverter o prêmio em equipamentos e materiais que auxiliarão na manutenção deste e de outros projetos desenvolvidos por eles.