PARA SEMPRE – DR. HECTOR RAMIREZ

Dr. Hector Martínez, presença marcante no XV ENAN, Rio de Janeiro, 2019 –
Foto: George Magaraia/ ENAM 2019

Para a nossa Rede, o Dr. Héctor Martínez foi e continuará sendo uma inspiração permanente para o alcance da cultura da amamentação em todo o mundo.

Dr. Martínez, não só nos deixa o Cuidado Mãe Canguru – um dos mais importantes legados para a humanidade – mas também construiu em milhares e milhares de pessoas, um exemplo e um compromisso a seguir.

O Dr. Martinez não apenas forjou o Mãe Canguru, que transformou os sistemas de saúde, salvando a vida de bilhões de bebês em todo o planeta, mas também forjou um exemplo de como transformar a realidade. Sempre educando, treinando, compartilhando sua experiência com aqueles de nós que tivemos a alegria de conhecê-lo, vê-lo, lê-lo ou simplesmente saber de suas ações ou sobre o Mãe Canguru.

O Dr. Martínez permanece em nossas vidas como aquele que conseguiu traduzir em ações concretas sua confiança nas mães e nas famílias como fonte essencial de vida.

Além da ciência, da evidência e da experiência, o Dr. Martínez nos deixa um exemplo de vida.

Acompanhamos sua família, amigos e seguidores ao redor do mundo,

Marta Trejos, pela Coordenação Regional e por cada um dos países da IBFAN da América Latina e Caribe
11/07/2021


Foto: Breno Esaki/Saúde-DF

A morte do Dr. Hector Martinez, em 10/07/2021, nos emociona e faz lembrar e compartilhar o que foi escrito por Ana Júlia Colameo e Marina Rea anos atrás:

“O Método Mãe Canguru é uma forma de atenção que incentiva e valoriza a presença e a participação da mãe e da família na unidade neonatal. Tem um papel importante para assegurar a saúde do bebê de baixo peso após a alta hospitalar, tanto pela oportunidade de fortalecimento do vínculo afetivo que oferece, como pelas altas taxas de amamentação que proporciona.

O Método Mãe Canguru foi idealizado em 1978 – 1979 na Colômbia, pelos doutores Rey e Hector Martinez, como resposta à superlotação das incubadoras, levando a altas taxas de infecção e morte, além do abandono dos RNBP por ocasião da alta.

Apesar de ter sido contestado inicialmente, algumas experiências exitosas mostraram que o Método Mãe Canguru, ou “pele a pele”, em bebês com estabilidade clínica era prazeroso para as mães e relaxante para os bebês, portanto aplicável no mundo desenvolvido. Outras publicações mostraram que o método era seguro e que trazia benefícios, tanto biológicos como sociais e psicoafetivos.

No Brasil, os primeiros hospitais que trabalharam com a posição canguru foram os hospitais Guilherme Álvaro, em Santos, e o Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIP), na Cidade do Recife. A partir de então, alguns hospitais brasileiros começaram a realizar a “Posição Canguru”, isto é, a colocação do recém-nascido em contato pele a pele sobre o peito da mãe.

Em 5 de julho de 2000, foi publicada a Portaria 693/GM que estabeleceu a Norma de Orientação para a Implantação do Método Canguru, tornando o Método Mãe Canguru uma política pública no Brasil.”

Inicialmente expandindo-se em países da América Latina com muito apoio do Unicef, e críticas do CLAP/ OPAS Uruguai, o Método Mae Canguru (KMC) ganhou expansão mundial nos anos 1980 e 1990. Diferentes congressos científicos realizados levaram a apresentação de pesquisas sobre o tema que consolidaram a importância e impacto da posição pele-a-pele desde o pós-parto imediato especialmente para o bebe nascido de baixo peso ou prematuro.

Já com a IHAC e a importância dos 10 passos, vê-se hoje conforme Passo 4, que essa posição pele-a-pele – que o KMC preconiza – é também importante para todos os recém-nascidos.

Nosso respeito e profunda admiração pelo Dr. Hector Martines, cujo Método Canguru tem salvado tantos bebês em todo mundo.

Ref.: Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, 22(x):109-118, xxx, 2006.
O Método Mãe Canguru em hospitais públicos do Estado de São Paulo, Brasil: uma análise do processo de implantação.